Começamos mais uma semana em meio a uma das mais graves crises de confiança das nossas instituições públicas. Supremo Tribunal Federal, Congresso Nacional, Senado, órgãos de controle, investigações, disputas políticas e insegurança jurídica se misturam diante de uma sociedade cada vez mais cansada, desconfiada e polarizada.
Em momentos como este, a reação mais fácil é dizer: “Não tem jeito”, “São todos iguais”, “Alguém precisa resolver isso”.
É justamente nesta forma de pensar que se encontra uma parte considerável do nosso problema: durante muito tempo, fomos ensinados a olhar para o Estado, para os governantes e para as instituições como se o destino do país estivesse exclusivamente nas mãos deles. Mas não está!
Em uma democracia, as instituições são fundamentais. Precisamos delas e, por isso mesmo, devemos respeitá-las e fortalecê-las. Porém, nenhuma instituição substitui uma sociedade consciente, participativa e capaz de fiscalizar o poder.
A cidadania madura não é passiva; ela participa quando é possível, constrói quando encontra espaço, continua avançando quando o poder público falha e, acima de tudo, sabe cobrar quando aqueles que receberam poder da sociedade se afastam de suas responsabilidades.
Por isso, é fundamental mudarmos a forma de pensar e até mesmo de falar sobre o Brasil.
O Brasil não será transformado por eles. Nossa nação será transformada com eles, apesar deles, cobrando deles... e fazendo a nossa parte.
Com eles, porque democracia exige diálogo, instituições e cooperação. Apesar deles, porque nossa responsabilidade não pode desaparecer quando governos ou instituições falham. Cobrando deles, porque todo poder público precisa prestar contas à sociedade. E fazendo a nossa parte, porque cidadania não é apenas reivindicar direitos; é assumir responsabilidade pelo lugar onde vivemos.
Essa é a mudança de consciência que precisamos construir. É parar de esperar apenas pelo salvador da pátria, pelo governante, pelo ministro, pelo parlamentar ou pela próxima eleição, e começar a compreender que cada cidadão possui uma fração de responsabilidade sobre o destino coletivo.
O Estado Democrático de Direito não se sustenta apenas com boas leis e boas instituições. Ele precisa de bons cidadãos capazes de compreender, participar, fiscalizar, convergir e transformar.
A crise que estamos vivendo é grave. Mas ela também pode nos ensinar que quando terceirizamos completamente nossa cidadania, entregamos também nossa capacidade de transformação.
Nesta segunda-feira, fica uma provocação: não pergunte apenas o que eles farão pelo Brasil; pergunte também o que nós faremos com eles, apesar deles, cobrando deles... e fazendo a nossa parte.
O futuro do Brasil é da nossa conta. E ele começa agora.
Pau na Máquina!